Perdida na História

Perdida na História

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Rosas

      A Guerra das duas Rosas. Dá-se este nome a uma série de guerras civis dinásticas, longas e intermitentes,  travadas em Inglaterra pelas casas rivais de Lancaster e York, nos trinta anos que medeiam entre 1455 e 1485, durante os reinados de Henrique VI, Eduardo IV e Ricardo III.

      São assim chamadas devido aos símbolos de cada uma: a rosa vermelha da Casa de Lancaster; e a rosa branca da Casa de York.

Rosa Lancaster

Rosa York

Início

      Tudo se iniciou com a disputa da aristocracia pelo controlo do Conselho Real, por causa da menoridade de Henrique VI. Havia uma rivalidade entre dois aspirantes ao trono: Edmundo Beaufort (1406-1455), duque de Somerset, da casa de Lancaster, e Ricardo Plantageneta, terceiro duque de York. O primeiro apoiava Henrique VI e a rainha Margarida de Anjou. O segundo pôs em causa o direito ao trono de Henrique VI de Lencaster, um homem frio mas fraco, sujeito a fases de insanidade.

Henrique VI, ao assumir o poder em 1442, teve o apoio dos Beaufort e do duque de Suffolk, aliados da casa de York.

Um rei diferente

      Henrique VI definitivamente não era conveniente para tempos tão rudes. Rezava muito antes de cada refeição e mantinha sempre à mesa uma imagem de Cristo. Não dava a menor impotância a guerras, assim como as rivalidades entre os barões do reino tendiam a passar-lhe ao lado. A sua verdadeira felicidade consistia em ir à missa e estudar teologia.
      Em 1440, fundou a tradicional Escola de Eton e, cinco anos depois, mandou construir a capela King’s College, em Cambridge. A falta de apego pelas coisas terrenas e todos estes empreendimentos arruinaram as finanças reais. Enquanto nobres e mercadores enchiam os cofres de dinheiro, o rei vivia constantemente endividado. Em 1451, Henrique teve de pedir emprestado para conseguir celebrar o Natal. No Dia de Reis do ano seguinte, já sem crédito, ele e a rainha não puderam jantar.

Henrique VI
Margarida de Anjou

Guerras

      Os primeiros adversários foram o rei Henrique VI, de Lancaster, apoiado pela mulher, a rainha Margarida de Anjou, e Ricardo Plantageneta, 3.° duque de York. Os tempos eram de dificuldade para a Casa de Lancaster, no poder, fortemente abalada pela demência do rei e pelas derrotas militares do exército britânico em França durante a última fase da Guerra dos Cem Anos.

      Após ter derrotado os exércitos de Lancaster em Saint Albans, em 1455 e em Northampton em 1460, York reclamava para si o trono. No entanto, nesse mesmo ano, foi vencido e morto em Wakefield.



      Mas as disputas continuaram; apoiado por uma importante fação da nobreza, o seu filho Eduardo IV foi proclamado rei e, pouco depois, inflingiu uma derrota decisiva a Henrique e Margarida, que abandonaram a ilha; Henrique viria a ser capturado em 1465 e encarcerado na Torre de Londres.

 
Eduardo IV

      A guerra, no entanto, reacendeu-se, agora devido à divisão dentro da própria fação de York. Richard Neville, senhor de Warwick, apoiado por George Plantageneta, duque de Clarence, irmão mais novo de Eduardo, celebrou uma aliança com Margarida e liderou uma invasão a partir de França em 1470.

      Eduardo IV foi condenado ao exílio e o trono foi restituído a Henrique. Mas, neste tempo, as alianças eram bastante voláteis; pouco depois, Eduardo voltou à carga, agora apoiado pelo irmão, o duque de Clarence. Warwick foi derrotado e morto na batalha de Barnet (1471); a mesma sorte tiveram diversos elementos da Casa de Lancaster, batidos na Batalha de Tewkesbury; Henrique foi novamente capturado e executado na Torre.

Origem dos Tudors

      Eduardo IV morreu em 1483; um dos seus irmãos, Ricardo, tornou-se regente pelo sobrinho Eduardo V, de 12 anos. Poucos meses depois o rei e o irmão foram levados para a Torre de Londres e desapareceram; os rumores diziam que haviam sido assassinados pelo tio, que herdou o trono com o título de Ricardo III.
      Nesta altura a Casa de Lancaster apoiou as pretensões ao trono de Henrique Tudor, senhor de Richmond, mais tarde Henrique VII, que fugira ainda adolescente para a Bretanha. As disputas terminaram em 1485, quando Henrique desembarcou na Inglaterra com 5 mil homens e marchou para depor o rei.


Henrique VII


      No ano de 1485 as forças de Ricardo e de Henrique travaram a célebre Batalha de Bosworth Field, o último grande recontro da guerra. Ricardo tombou no campo de batalha; Henrique tornou-se rei de Inglaterra e casou com a filha de Eduardo IV, Elizabeth  e, em seguida, uniu as casas rivais.


Elizabeth de York

      Pode dizer-se que, com esta guerra, há um fortalecimento do poder da Coroa, visto ter havido a união das duas rosas. O Reino saiu bastante abalado mas a velha aristocracia manteve o seu posicionamento social; contudo, o prestígio e a força do novo monarca foram canalizados para a disciplinar; com a guerra, aliás, vieram as confiscações de propriedades e bens que serviram para ajudar a equilibrar as finanças do Estado.


A rosa actual é cor-de-rosa, símbolo da união da rosa vermelha e branca.





Fontes:
Guerra das Rosas. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-08-26].

1 comentário:

  1. É muito interessante esta história de intrigas entre a família York e a família Lancaster. Não é a toa que inspirou Game of Thrones...
    Se trata de uma séria de intrigas que inicia com o fraco rei Henrique VI, que recebe um forte apoio e vence Ricardo de York. Depois o filho, Eduardo de York vinga o pai, tomando o trono e mantendo o antigo rei cativo, com o apoio de um barão que era conhecido como "fazedor de reis", o Barão de Wareick. E por aí vai...
    A história da Guerra das Rosas parece que foram uma longa série de batalhas pelo poder travadas entre a família Lancaster e a família York.

    Abraços!

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