Perdida na História

Perdida na História

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sinatra, Máfia e Política


    Francis Albert Sinatra nasceu em 1915 em Hoboken, actuando quer em filmes, quer fazendo uma famosíssima carreira na música. Aliás, é considerado uma das maiores vozes do século XX, com mais de 50 anos de carreira. Lançou centenas de canções, actualmente imortais, como Killing Me Softly, Strangers in the Night, New York, New York, My Way, Fly Me to the Moon, entre outras. Já no que diz respeito ao cinema, Sinatra aparece em mais de 50 filmes, todos estreados entre 1941 e 1990, tendo mesmo sido nomeado duas vezes para os prémios Óscar.


     Tudo isto consta nas biografias oficiais de Sinatra. O que não é tão falado é o facto de Sinatra ser descendente de italianos. E ter tido ligações à Máfia.

Ligações estranhas.
    Durante quarenta anos, o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, pesquisou arduamente a vida de Sinatra, com o intuito de apurar se encaixava dentro dos seus inimigos máximos: o comunismo e a Máfia.
    Apesar de centenas de documentos, nenhum documento terá chegado aos dias de hoje com a prova inequívoca de que Sinatra pertencia à organização Máfia e quanto ao comunismo, parece ser uma suspeita absurda. De facto, existem centenas de indícios, devido aos amigos suspeitos, de Sinatra ter uma grande ligação ao mundo do crime mafioso, contudo, ou os documentos foram destruídos, ou nunca chegaram a ser guardados. O que é certo é que desde criança, Sinatra cresceu rodeado de uma esfera italiana, no meio da qual continuou a circular mesmo depois de ser famoso, que se veio a provar pouco aconselhável.

O início do interesse
    Como começa o FBI a ter interesse em alguém tão saliente no mundo do espectáculo? Tudo começa décadas antes. Frank Sinatra esteve preso por comportamento impróprio com uma rapariga, essa acusação foi retirada e o famoso cantor estava de novo livre.


    Porém, Sinatra salta para a ribalta do FBI através de uma carta anónima, que pouco teve de anónima, visto se saber ter sido escrita por um colunista social famoso na época, Walter Winchell. A carta era peremptória: afirmava que o cantor teria pago 40.000 dólares para se livrar do serviço militar. O FBI ficou com dúvidas. Ao investigar, percebeu-se que tal não era verdade: ao investigar a sua ficha médica, descobriu que a estrela escapou do Exército (e da frente de combate na II Guerra) por ter o tímpano perfurado e sofrer de "instabilidade mental". Sinatra, já famoso e assediado por fãs histéricas, declarou "ser neurótico, ter medo de multidões e vontade de correr quando se vê cercado de pessoas".



    Porém, não foi este episódio que mais terá interessado o FBI. Umas certas ajudas financeiras a campanhas que cheiravam a comunismo, como a "Cruzada americana pelo fim dos linchamentos" saltou muito mais à vista do FBI. A polícia não descansou. Investigou profundamente, tão a fundo que em 1950 Sinatra envia um sinal de patriotismo: oferece os seus préstimos para espiar os seus colegas, quer actores, quer cantores, para o FBI. A oferta foi, aparentemente, recusada.


     Se Sinatra se consegue livrar da suspeita de ser comunista, não é com tanta facilidade que se livra das investigações relacionadas com a Máfia.
     Aquando da sua morte, ao aceder-se aos ficheiros do FBI, contou-se várias fotografias do cantor com vários indivíduos explicitamente ligados à Máfia, bem como vários registos de viagens e festas com Sam Giancana e outros chefes da Máfia.
Sam Giancana

     Gilorma Salvatore Giancana, ou Sam Giancana, foi o sucessor de Paul Ricca, em 1957, na direcção da Máfia de Chicago, cargo esse que segue até ao fim da sua vida, em 1975. È de vital importância referir que é a Sam Giancana que se atribui a responsabilidade pelo “suícidio” de Marilyn Monroe (curiosamente, juntamente com a CIA), assim como terá sido um dos cérebros por trás dos assassinatos de Robert F. Kennedy e John F. Kennedy.

O mundo do crime
    O envolvimento de Sinatra com a Máfia parecia ser óbvio: suspeitava-se de contrabando de dinheiro e tentativas de extorsão.  A polícia tem vários informantes. Um deles afirma sem qualquer dúvida:
"Tudo o que Sinatra faz tem o dedo de Giancana"
    Tendo em conta os altos cargos dentro da Máfia com que Sinatra lidava, não admira a dificuldade e o evidente insucesso do FBI em acusar e levar à detenção de Sinatra. Na década de 80, com o presidente Hoover morto e o próprio FBI reformulado, Sinatra era um astro consagrado como lenda em todo o planeta: o arquivo foi encerrado.


    À parte aquilo que é oficial, sabe-se que Frank Sinatra teria certa vez agido como mensageiro da Máfia, tendo escapado por pouco de ser preso, visto estar a carregar uma mala com 3,5 milhões de dólares, em dinheiro vivo. A informação foi transmitida pelo comediante Jerry Lewis, que terá sido colega de Sinatra, aos autores de um livro novo que visa contar a verdadeira história do astro.
    De acordo com Lewis, Frank Sinatra estava a passar pela alfândega com uma mala que continha "três milhões e meio em notas de cinquenta", quando agentes da alfândega abriram a mala. Contudo, se Sinatra teria ou não medo da multidão, como afirmou no passado, terá sido esta a salvá-lo: em função da multidão que se acotovelava para ter um vislumbre do artista, os agentes desistiram da revista.
"Senão", disse Lewis, "nunca mais teríamos ouvido falar em Sinatra".
   
Amigos, amigos…
    Documentos do FBI também demonstram que Sinatra teria tido ligação com o mafioso Lucky Luciano, durante viagem que fez a Cuba em 1947 e que, no início de sua via como cantor, tenha recebido o apoio de um mafioso chamado Willie Moretti, de Nova Jersey.
Frank Sinatra com individuos ligados à máfia

    Aliás, o incidente com a mala terá ocorrido pouco depois de Lucky Luciano ter sido deportado dos Estados Unidos para a Itália, em 1946.

Frank Sinatra com individuos do mundo da Máfia, nomeadamente Giancana, segundo a contar da direita.

    - Quando a polícia de Nápoles faz uma busca à casa de Luciano, encontra uma caixa dourada com a inscrição: "Para o meu querido amigo Lucky, do seu amigo Frank Sinatra"
    - Sam Giancana usava um anel com uma safira rosa, uma prenda de Sinatra.
    - Várias gravações não autorizadas, levadas a cabo pela polícia, gravam conversas da máfia onde Sinatra é um nome corrente.  

Política, Máfia e Sinatra
    Tudo poderia não passar de suposições. Contudo, declarações de  Tina Sinatra, filha do cantor norte-americano Frank Sinatra, durante a gravação do programa «60 Minutes», da CBS, asseguram que todas as suspeitas do passado, tinham fundamento. A filha confirma que
O pai pediu a um dos chefes da mafia para ajudar John F. Kennedy a ganhar as eleições presidenciais dos EUA em 1960”.
O meu pai era moço de recados”, acrescentou.


    Desta forma, confirma-se algo que nunca pôde ser provado antes: Frank Sinatra pediu a um dos chefes da máfia para ajudar John F. Kennedy a ganhar as eleições presidenciais dos EUA em 1960.
    O meu pai era moço de recados proferiu Tina, acrescentando que Frank Sinatra terá falado com Sam Giancana a pedido de Joseph Kennedy.

    O facto que fica para a História é que John Kennedy derrotou Hubert Humphrey nas primárias da Virgínia, o que garantiu a candidatura pelo Partido Democrata.

Porém, as declarações de Tina não ficam por aqui:
"O pai estava ligado à Máfia pois eles empregaram-no por mais de 20 anos da sua vida, ou mais; eles ajudaram-no a começar, tal como ajudaram Dean [ Dean Martin] e Bing [ Bing Crosby]a começar ".

Surpreendente foram mesmo as seguintes declarações  de Tina:
"Provavelmente nós demos à Máfia um rótulo de maus da fita, quando na maioria das vezes eram um bando de  pessoas fixes. Só aqueles que mataram é que levaram as coisas um pouco longe de mais. A ideia de serem todos uns assassinos a sangue - frio está errada" (estará????)


Política, Máfia, Sinatra  e Marilyn Monroe
    “Frank Sinatra and Marilyn Monroe named in Mafia 'sex parties' plot to smear Kennedys, FBI file reveals”. O tema faz manchete no jornal dailymail, após a descoberta de documentos do FBI relacionados com a família Kennedy.


    Os três irmãos Kennedy são acusados de participar em “sex parties”, juntamente com Marilyn Monroe e os membros do grupo Rat Pack (grupo de artistas extremamente populares, onde figurava Sinatra), segundo arquivos recentemente vindos a público do FBI.



Frank Sinatra com Marilyn Monroe e outros amigos
    Um informante do FBI dentro da máfia revela que a organização usa mulheres “fornecidas” pelo Rat Pack, nomeadamente Monroe, para atrapalhar os irmãos Kennedy. Segundo o informante, nestas festas participavam todos os irmãos, tendo sido vista, pelo menos uma vez Patricia Kennedy, irmã dos Kennedy e esposa do actor Lawford, um próspero actor de Hollywood que, como não poderia deixar de ser, estava também ele em todas as festas.

Sinatra e Monroe


    A famosa actuação de Monroe com o seu “Happy Birthday Mr.President” foi perfeita. Apesar de a actriz estar extremamente perturbada nessa actuação, muitissimo doente, deprimida e possivelmente sedada, a actuação não poderia ter sido melhor:  foi interpretada com uma conotação sensual. No dia seguinte, corre em todos os jornais que o Presidente terá dormido naquela noite com a actriz. Pensa-se, a ser verdade, que terá sido a última vez que aquele Kennedy terá visto a actriz com vida.



    Na manhã de 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, Marilyn é encontrada morta, em casa, deitada na cama. O relatório oficial regista que morreu de overdose. Voltando à noite anterior, os vizinhos relatam terem ouvido um helicóptero. Uma ambulância já estava parada, à espera, fora da casa da estrela, mesmo antes da empregada a descobrir morta.


    Todas as gravações dela com o psicanalista são parcialmente destruídas. Actualmente, o relatório da autópsia, não existe.

    O informante "confiável" revelou que a máfia queria manchar Robert Kennedy por causa da sua guerra contra o crime organizado quando era procurador-geral dos EUA, entre 1961 e 1964. A Máfia não lhe perdoava e Kennedy, inexplicavelmente, em vez de se afastar, cada vez mais se enredava numa teia, estranha e sem fim.

Rat Pack e Giancana

Quanto a Sinatra, todos o conhecem como o "Senhor da Voz", um verdadeiro astro a nível mundial. Ninguém parece incomodado por estarem a falar de um possível elo da Máfia.


"O Padrinho"
   O êxito internacional "O Padrinho", quer em livro, quer em filme, terá também utilizado Frank Sinatra para a criação de um personagem. De facto, Mario Puzzo criou Johnny Fontane, o personagem que sobe na vida artística à custa da sua ligação com o Padrinho, com base na vida de Frank Sinatra. Não parecem ser só meras coincidências, pois ao longo da história aquilo que sucede a Johnny em tudo se assemelha ao ocorrido a Sinatra na vida real, com uma ou outra pequena nuance. De facto, até o problema nas cordas vocais que afecta Johnny é em tudo semelhante ao que sucedeu a Sinatra.

    Conhecendo o franco poder de Sinatra em Hollywood, o filme é feito em 1972, tendo-se especial cuidado com as cenas protagonizadas por Fontane, de forma a que tudo não passasse de meras coincidências. Desta forma, Mario Puzzo nunca assumiu as coincidências entre o seu personagem e Sinatra, assim como o próprio Sinatra teve oportunidade de negar qualquer semelhança. Podem ser apenas coincidências. Podem não ser.

Cena do filme "O Padrinho", onde o Padrinho fala com Johnny Fontane, personagem inspirada e criada à imagem de Frank Sinatra

Consultar, para mais informações:

Fontes:





2 comentários:

  1. nossa achei legal obg pelo cite ass luisa bjoss

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  2. Ele tinha cara de mafioso mesmo!

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