Perdida na História

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sábado, 27 de maio de 2017

Augusta Emerita

Fundada no ano 25a.C por ordem do Imperador Romano Octavio Augusto, a fundação da cidade Emerita Augusta, actual Mérida (Extremadura, Espanha) teve como principal objectivo o acolhimento de soldados das guerras "Cántabras", veteranos das legiões V Alaudae e X Gemina. 

     Segundo documentação e vestigios ainda hoje existentes, esta cidade teve uma importante muralha, sendo o Teatro, o Anfiteatro e o Circo, a parte dos Fóruns e templos, o centro da vida nesta tão antiga cidade. Dever-se-á fazer também menção à importante e ainda hoje utilizada ponte romana no rio Guadiana.


      A chegada dos Visiogodos não diminui em nada a importância desta cidade, sendo a presença árabe apontada como a responsável pelo declive da sua importância. Efectivamente, esta situação manteve-se practicamente até ao século XX, sendo que no ano 1993 esta importante cidade passa a ser considerada Património da Humanidade pela Unesco.

    Tive o prazer de visitar esta bela cidade e aqui vos deixo fotos de alguns dos preciosos monumentos e ruínas que tive a oportunidade de visitar. Aconselho vivamente a visitá-la.
Teatro de Mérida:






Casa do Mitreo e Columbario:





Templo de Diana:




Arco de Trajano:


Forum Romano:



Aqueduto dos Milagres:


Circo Romano:


Alcazaba:




Ponte Romana:


Anfiteatro Romano de Mérida:



Fonte: http://merida.es/breve-historia/
http://turismomerida.org/que-ver/columbarios
http://turismoextremadura.com/viajar/turismo/es/explora/Casa-del-Mitreo/

domingo, 28 de dezembro de 2014

São Mamede Infesta

Na atualidade, a freguesia de São Mamede Infesta, em Matosinhos (distrito do Porto) é uma localidade com bastante movimento, mas longe do grande movimento das grandes cidades. Contudo, São Mamede Infesta, ao contrário do que se possa pensar, é uma localidade muito muito antiga, possivelmente já com História mesmo antes da fundação da Nação. 

Tempos Remotos

     Datará possivelmente do período Neolítico, os primeiros povoamentos nesta terra. Existem indícios arqueológicos de monumentos megalíticos na freguesia de Custóias. Mais tarde, os Fenícios estabeleceram reitorias na Península, a partir do séc. X a.C., tendo navegado até à foz do Douro e, mais tarde, outros povos chegaram a esta parte do Norte de Portugal, dada a sua conexão quer com o Oceano Atlântico, quer com o rio Douro, como por exemplo os Celtas. 

Guerra e o Império Romano

     As guerras Púnicas entre Roma e Cartago, trouxeram para a Península Ibérica as legiões romanas, a partir de 218 a.C. Depois da derrota dos cartaginesas em 206 a. C., Roma considerou a Península como seu domínio militar, para combater os vários levantamentos dos povos indígenas [1].

     No ano de 197 a.C. foram enviados para a Península Ibérica Semprónio Tudiano e M. Hélvio, a fim de dividir o território ocupado em duas províncias: a Hispânia Ulterior (ocidente) e a Citerior (oriente) [1].

     Os indícios que chegaram até hoje revelam que só no ano de 138 a. c. se efetuou a primeira grande campanha militar romana no atual território português. Tal iniciativa esteve a cargo do governador da Hispânia Ulterior, Décio Júnio Bruto [1]. Segundo Estrabão, sabemos que Júnio Bruto avançou para norte, contornando as regiões montanhosas do interior. Tal decisão mantinha a sua força o mais perto possível do litoral, a fim de receber reforços por via marítima. Este itinerário seria depois, provavelmente, escolhido para a estrada que viria a ligar Olissipo (nome romano dado à actual cidade de Lisboa)  a Bracara (nome romano dado à atual cidade de Braga), passando provavelmente por território que hoje é S. Mamede de Infesta. Júnio Bruto foi até ao rio Minho, tendo voltado para trás [1]. Por outro lado, Caio Júlio César foi governador da Hispânia Ulterior no ano de 61 a C. tendo efetuado uma expedição naval à Galiza, passando pela foz do rio Douro.

      Os registos fazem crer que, no sec. I, teria existido uma “villa ” Decio e um templo dedicado a Júpiter, onde hoje está localizado o Mosteiro de Leça do Balio, em São Mamede de Infesta. Também na Quinta dos Alões, foi descoberta uma ara com a seguinte inscrição: “Flavus, filho de Rufo, cumpriu de boa mente o voto a Júpíter Optímus, Maxímus”[1]. Tais descobertas não são efetivamente de estranhar, já que S. Mamede de Infesta era atravessada pela estrada que ligava Olissipo a Bracara. Dessa via existe o local onde ela atravessava o rio Leça, na Ponte da Pedra, onde hoje existe a velha ponte medieval. Efectivamente, encontraram-se na Quinta do Dourado um marco miliar romano, onde se encontra gravado o nome do imperador Adriano. Este marco miliar está no cemitério paroquial, junto da igreja matriz, transformado em cruz.

      Decorria o ano 212, e o imperador Caracala, pelo édito com o seu nome, concedeu a cidadania romana a todos os povos do império. Sob Diocleciano, entre 284 e 288, passa a existir uma nova reorganização se das províncias hispânicas, sendo formada uma nova província, a Galécia. Esta província tinha como fronteira a sul, o rio Douro, indo pelo norte até à Galiza. Nesta época, as vias de comunicação eram elementos de coesão de toda a estratégia romana na península. A via que ligava Olisipo a Bracara era certamente a mais importante rota do Norte ao Sul do atual território português [1]. Esta via tinha também conexão à Serra do Gerês.  



Ponte da Pedra

      É com a grande ligação com a Maia (grande território agrícola) e o Porto (grande território comercial) que São Mamede vê o seu número de habitantes crescer gradualmente.  

     Uma outra construção reveladora da importância que as vias de comunicação desde sempre assumiram em S. Mamede de Infesta é a Capela do Lugar do Telheiro. Segundo contos antigos, na viagem de Lisboa para Pádua, Santo António terá pernoitado debaixo de um telheiro, readquirido aí forças para se recolocar ao caminho. Foi esse telheiro que ganhou nome de Lugar e honras de Capela [1].

       No livro do Tombo da Baliagem de Leça, em 1566, São Mamede de Infesta possuía os seguintes lugares: Aldeia de Baixo, Ermida, Outeiro, Carril Branco, Laranjeira, Casal da Igreja, Casal das Devesa. Eirado, Moalde, Casal do Meio e Casal da Poupa. Em 1643, já se chamava São Mamede da Ermida e era constituída pelos seguintes lugares: Eirado, Corujeira, Ermida, Laranjeira, Aldeia da Igreja, Telheiro, Carril Branco, Tronco, Moalde, Casal da Poupa, Asprela, Arroteia, Casal de Baixo, Deveza, Outeiro, Alagoa, Cidreira e Cavada [2]. 

      A importância do Couto de Leça no início do século XVI justifica que, em 4 de Junho de 1519, o rei D. Manuel lhe atribua uma carta de foral. Leça é constituída em município, para fins administrativos, com julgado próprio e com três freguesias - Leça, Custóias e São Mamede. Cada uma das freguesias elegia dois vereadores e os seis elegiam outro, que servia como juiz ordinário do julgado [2].

Guerras Liberais

     São Mamede de Infesta participou em diversos momentos históricos, sendo as Guerras Liberais um deles. Após o desembarque das tropas de D. Pedro, 8 de Julho de 1832, a cidade do Porto foi ocupada sem grandes confrontos no dia 9. Efetivamente, as tropas miguelistas cercaram a cidade durante um longo ano (1832 a 1833), tendo o rei D. Miguel utilizado a casa da Quinta da Pedra para sua residência [2]. Contudo, em São Mamede de Infesta estava um grande e forte dispositivo de combate. 

     Em 30 de Maio de 1834, é extinto o couto de Leça, juntamente com todas as ordens religiosas do País, por decreto de D. Pedro e do ministro Joaquim António de Aguiar, sendo o município incluído juntamente com a Freguesia de S. Mamede de Infesta, no Concelho de Bouças. Os terrenos pertencentes ao Couto de Leça, foram anexados à coroa, sendo posteriormente leiloados a partir de Abril de 1835, devido à grave situação económica do País

Um rio importante

     São diversas as referências ao rio Leça em textos com antiguidade considerável. 

    Estávamos no ano 1809 e o general Soult, que comandava as tropas francesas na invasão ao Porto, escolheu a margem do rio Leça para instalar as suas tropas, tendo-se albergado no palácio das suas margens, onde terá desenhado o seu plano invasor [1].

    Anos mais tarde, em 1833, época de outras contendas, um reduto das tropas miguelistas ficou sitiado no Lugar do Telheiro, para cortar a estrada que ligava Porto a Braga [1].

     As potencialidades urbanísticas e a riqueza dos recursos naturais levaram a que, tanto no fim do século XIX como nos dois primeiros quartéis do século XX, S. Mamede fosse reconhecida como uma “lindíssima estância” (segundo o jornal Lidador) onde abundavam os passeios de barco, os piqueniques, os bailes de Domingo e as tertúlias que frequentemente lá se desenrolavam [1].





Igreja de São Mamede de Infesta




Origem do nome

      O nome atual “São Mamede de Infesta” não reflete a denominação que este local sempre teve; efetivamente, é em 1706 que esta freguesia adquire esta denominação. Nas Inquirições de 1258 e de 1527, o nome era São Mamede. Porém, em documentos mais antigos, a localidade era designada por São Mamede de Tresores (o termo Tresores vem de três orres, ou vales, que efetivamente ladeiam a freguesia) [1]. 
    
      O termo atual “Infesta” aparece na “Corografia Portuguesa” do Padre Carvalho da Costa e tem variado muito, pois também se acha S. Mamede da Ermida e S. Mamede da Hermida da Infesta, nas Constituições do Bispado do Porto de 1735 e noutros documentos do séc. XVIII e S. Mamede de Moalde no “Catálogo e História dos Bispos do Porto” de Rodrigo da Cunha, em 1623 e na ” Nova História da Ordem de Malta ” de José Anastácio Figueiredo. 

     “Infesta” é um termo arcaico que significa subida, podendo ser bem aplicado a esta localidade já que a localidade se encontra numa elevação que domina o rio Leça. 

      Contudo, o nome de origem será Sanctus Mamethus. Assim sendo, pensa-se que Moalde será, possivelmente, o mais antigo lugar da freguesia de S. Mamede de Infesta. A primeira vez que é nomeada foi no ano de 994 e em 1008, sob a forma de villa Manualdí, isto é, quinta ou herdade de alguém chamado Manualdo [1]. 

     Por outro lado, o nome da localidade "Seixo" será igualmente um lugar muito antigo desta freguesia, pois já nas Inquirições de D. Afonso III em 1258, se menciona o seu nome. Este lugar foi desmembrado da freguesia de Ramalde em 1895, sendo anexado a S. Mamede.






Estação Ferroviária de São Mamede Infesta

Excerto de um vídeo com imagens de São Mamede Infesta, ano de 1930 (publicado em "youtube")

https://www.youtube.com/watch?v=GQzPXcVHSCI


Fonte: 
http://www.uniaojf-sminfesta-srahora.pt/cidades/historia/
http://paroquiasmamedeinfesta.blogs.sapo.pt/430.html

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O incêndio

Decorria o ano de 64 dC quando um incêndio violento e de proporções catastróficas deflagra em Roma, varrendo descontroladamente a cidade, durante uma semana. O impacto do acontecimento é tal que se começam a ouvir sussurros: o imperador é o incendiário.

      A metrópole romana é barbaramente dizimada. Se a grande aplitude do desastre vem a justificar a notoriedade deste sinistro, a sua fama até aos dias de hoje prende-se sobretudo com dois acontecimentos: aquele que é apontado como culpado -um imperador e aqueles que efectivamente "cumprem a pena"- os seguidores de uma pequena seita religiosa: cristãos.

Um inferno na Terra

      Na noite de 18 para 19 de Julho os armazéns situados perto do Circo Máximo começam a arder, inexplicavelmente. Atiçadas por um vento também ele violento, as chamas sobem na direcção do Palatino, descendo depois até aos bairros do Quirinal, Vimial e Esquilino.
      Acordados no meio do inferno, os habitantes enlouquecidos, ter-se-ão espalhado pela cidade numa confusão indescritível, tentando desenfreadamente salvar a vida, familiares, haveres.



      Desengane-se quem pense que já na altura não existiam "bombeiros". Os vigias, soldados encarregados da prevenção e extinção de incêndios, são totalmente incapazes de controlar o sinistro incêndio que teima em não diminuir, tanto pela inebriante escuridão da noite como pela insana multidão que impede os vigias de trabalhar.

Fénix

      Durante 7 noites, durante 6 dias, o incêndio simplesmente não diminui de intensidade. Sempre que as autoridades o dão por extinto, renasce qual Fénix noutro quarteirão com igual fúria e ferocidade.
      Ao nono dia, extingue-se finalmente aquele que poderá ter sido um dos maiores incêndios da Antiguidade. As pessoas vêem finalmente o que as rodeia: apenas e só cinzas e ruínas. Roma, tal como a conheciam antes, não existe. Efectivamente, das catorze regiões de Roma, apenas quatro não registaram a passagem do inferno. As outras dez, foram totalmente ou parcialmente destruídas.

     


      Não existe conhecimento acerca do número de vítimas mortais ou feridas. Quanto aos desalojados, fontes da época apontam para "Duzentos mil romanos sem tecto, sem abrigo".



Destruição

      Os bairros arrendados onde moravam centenas de famílias foram os mais afectados. Mas não só. Monumentos e Templos venerados pelos romanos eram agora escombros. Todas as obras de arte trazidas da Grécia e do Oriente deixaram de existir, assim como centenas de manuscritos e obras também se perderam com o incêndio das bibliotecas públicas.



Culpado?

      Se no início parece algo casual, com o avançar dos dias, com o avançar dos reacendimentos, a população deixa de acreditar na Natureza como responsável pela tragédia. Querem respostas e, acima de tudo, querem um culpado. Depoimentos daquela altura relatam terem visto homens a lançar tochas acesas para dentro de casas. Não demora muito até o povo apontar Nero, o imperador como o responsável por toda aquela insanidade.




Motivo?

      Nero nunca escondera o seu desejo de construir, de raiz, uma nova Roma. Nova. Resplandecente. Uma Roma à sua altura. Desta forma, diversos indivíduos acusam-no de ter lançado chamas à sua própria capital, por forma a ver-se livre dos velhos e decrépitos bairros; mais sinistro é uma outra versão avançada por políticos próximos do próprio Imperador: Nero teria feito tal com o intuito de arranjar inspiração para a sua nova epopeia "A Tomada de Tróia!" .




      Se por um lado Nero era absolutamente lunático e perturbado, era também verdade que tinha bastantes inimigos. Quem sabe se não teria sido um deles a lançar o inferno sobre a sua capital, por forma a acusá-lo? Os boatos eram cada vez mais fortes no Império que nunca se coibiu de assassinar um Imperador e nomear outro. Nero necessitou, então, de estabelecer um culpado credível.
     
      A população desta antiga Roma é igual a qualquer população da actualidade: com a acusação oficial contra uma pequena seita religiosa, os cristãos, a vindicta popular apazigua-se rapidamente. De facto, os rituais misteriosos desta seita estranha podem muito bem ter irado os verdadeiros deuses titulares de Roma.  

Eficácia e Loucura

      Cerca de duzentos individuos pertencentes ao cristianismo são presos e executados. Tudo poderia ter terminado por aqui se estivesse a escrever sobre um soberano de mente sã. Efectivamente, esta acção torna-se num martírio colectivo visto que, transformados em tochas humanas, os condenados servem para iluminar as festas oferecidas por Nero ao povo.

Seria mesmo culpado?

      Na actualidade não existe qualquer prova acerca da culpabilidade de Nero. Os factos são que o incêndio teve início nos armazéns de trigo e azeite, assim como ficou claramente registado o grande auxílio de um vento extraordinariamente forte. A juntar a estes dois factos, fica também a evidência daquilo que era já recorrente nos Verões romanos: reduzidas reservas de água.
      Aquilo que suscita dúvida serão mesmo os reacendimentos constantes. Se alguém se terá aproveitado da situação, não existem provas.

      Quanto a Nero, este estava em Anzio aquando do começo do fogo (teria mandado outra pessoa colocar fogo nos armazéns?), assim como o incêndio também afectou a sua luxuosa habitação: a Domus Transitória,também ardia e com ela as suas valiosas colecções de arte e joias. Sendo assim, como surge a ideia da culpa de Nero? Os relatos de Tácito (historiador, orador e político romano) afirmam que "havia rumores de que Nero ficou cantando e tocando lira enquanto a cidade queimava".  Mais tarde, escrevem-se versões absolutamente diferentes: o imperador andou juntamente com os vigias a tentar acalmar o fogo. Qual a versão verdadeira?


Nero, filme Quo Vadis


      O que efectivamente não é tão divulgado é a forma como Nero lidou com os desalojados. De forma populista ou não, o Imperador terá mandado abrir o Campo de Marte - local onde as legiões estão- bem como os seus jardins privados por forma a alojar todos os desalojados. Por outro lado, terá organizado uma cadeia logística para abastecer o povo de comida, tendo descido o preço do trigo para um valor muito baixo, acessível a toda a gente.

      Quanto às suas ideias urbanísticas, Nero veio, realmente, a empreender um ambicioso projecto que acabou por beneficiar a população e, em vez de aumentar os impostos nas Províncias, o Estado contribuiu quer com dinheiro, quer com materiais para a reconstrução da capital. Por outro lado, verificou-se o desenvolvimento de uma mentalidade de prevenção: por decreto, as casas de vários andares passaram a ter, no máximo, cinco andares; passaram a ser construídas em pedra e tijolo com espaço entre si; em cada casa passa a ser obrigatório material contra incêncios como areia, mantas e água. Por outro lado, os carros que transportavam para Roma as provisões alimentares deveriam levar de retorno os escombros que seriam depositados nos pântanos de Óstia, acabando-se assim com os focos de malária.




      O que resulta deste acontecimento e fica para a posteridade é a fama de pirómano com que Nero fica rotulado, assim como a grande impulsão que fornece a uma insignificante seita religiosa que, mais tarde, vem alterar todo o rumo do Império.




      Quanto ao imperador, algumas fontes apontam que terá sido assinado por um dos seus escravos, com quem tinha uma relação, outros apontam o suicídio. No dia 6 de Junho de 68 dC Nero desaparece,  colocando um ponto final  na dinastia Julio-Claudiana.

Fontes:
http://www.canaldehistoria.pt/hoyenhistoria/202/O-incêndio-de-Roma
Astier et al, (2000), Memória do Mundo, Cículo de Leitores

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Boadicea

Boadicea foi a primeira heroína nacional da Grã-Bretanha. Rainha de uma antiga tribo de Antigos Britânicos, os Icenos, comandou uma revolta  épica contra os seus opositores romanos, no ano 61dC.

     Os romanos invadiram a Grã-Bretanha no ano 43 dC. Em breve, reduziram o Sul de Inglaterra a uma província romana. Um dos métodos dos romanos para manter o controlo sobre os povos dominados consistia em conceder terras aos seus soldados que se reformavam. Seguiram também esta política na Britânia ( Grã-Bretanha), tendo tal acto revoltado em grande escala a população dos Icenos.



    Os Icenos eram uma tribo populosa que habitava as regiões que hoje constituem Norfolk, Suffolk, Huntingdonshire e Cambridgeshire.

    Enquanto o governador romano Paulino Suetónio participava em campanhas no Norte, estes ex-soldados assaltavam as quintas dos Icenos, incluindo as terras do falecido rei Prasutago. A casa real foi invadida e pilhada. A rainha Boadicea (ou Boudicca) foi torturada, assim como as suas filhas foram atacadas.

    Terá sido um erro acreditar que Boadicea se iria redimir. Os relatos da época descrevem a forma como Boadicea terá saltado para o seu carro de guerra, com as costas ainda feridas do chicote.

 
     Os habitantes de Ânglia do Leste seguiram-na na revolta. Boadicea conduziu um exército enorme de homens e mulheres em direcção ao acampamento romano no Sudoeste de Inglaterra.




    Após ferozes batalhas, Camuloduno (Colchester), Londínio (Londres) e Verulâmio (St.Albans) foram absolutamente reduzidas a cinzas. Em Verulâmio, a capital, foram mortos setenta mil romanos e colaboradores ingleses.

     Suetónio regressou e, numa batalha atroz, a campanha romana venceu, tendo aniquilado milhares de britânicos.

    Narra-se que Boadicea terá preferido envenenar-se do que voltar a cair em mãos romanas. A revolta dos Icenos foi a mais grave que os romanos enfrentaram em solo inglês. Depois da derrota de Boadicea, a conquista da Grã-Bretanha, pelos romanos foi realizada de forma muito fácil e sem grandes problemas. Junto à fronteira com a Escócia, construiram a Muralha de Adriano para afastar os "escoseses belicosos".


    Segundo uma lenda popular, Boadicea teria sido enterrado em local que fica hoje sob uma das plataformas da estação de Kings Cross, mas outras fontes sugerem também ser possível que os restos da rainha possam estar debaixo de outras plataformas da referida estação.

    Já o historiador Dion Cássio (155 dC-229 dC) sugere o contrário: que o seu corpo tenha sido queimado como heroína, de conformidade com os costumes celtas. E referindo-se à rainha na sua obra literária, diz que “ela: era alta, terrível de olhar e abençoada com uma voz poderosa. Uma cascata de cabelos vermelhos alcançava seus joelhos; usava um colar dourado composto de ornamentos, uma veste multicolorida e sobre esta um casaco grosso preso por um alfinete. Carregava uma lança comprida para assustar todos os que lhe deitassem os olhos”.


    A Grã-Bretanha terá ganho bastante com a civilização romana, mas Boadicea é ainda recordada como um símbolo de resistência à invasão. A sua figura está celebrada numa estátua junto à Ponte de Westminster, em frente ao Parlamento, controlando as rédeas do seu imortal carro de guerra.    





      Além de filmes acerca da rainha Guerreira, Boudicea (hiperligação!) serviu também de inspiração para algumas melodias: